Entenda com funciona, a origem e os grupos religiosos em choque com o Estado Islâmico

Também conhecido como Isis, sigla em inglês para Estado Islâmico (EI) do Iraque e da Síria, o Estado Islâmico (EI) é um grupo muçulmano extremista fundado em outubro de 2004 a partir do braço da Al Qaeda no Iraque.

É formado por sunitas, o maior ramo do islamismo.

Entre os países muçulmanos, os sunitas são minoria apenas entre as populações do Iraque e do Irã, compostas majoritariamente por xiitas.

Em janeiro de 2014, o Estado Islâmico (EI) declarou que o território sob seu controle passaria a ser um califado, a forma islâmica de governo.

islamico

Os sunitas radicais do EI consideram que os xiitas são infiéis e devem ser mortos.

Aos cristãos, os extremistas dão três opções: a conversão, o pagamento de uma taxa religiosa ou a pena de morte.

No Iraque, o EI tenta se aproveitar da situação conflituosa entre curdos, árabes sunitas, cristãos e xiitas, que atualmente governam o país, para ampliar sua área de controle.

Lá, tem a simpatia dos iraquianos sunitas, que estiveram no poder durante as décadas de governo Saddam Hussein, perseguindo a maioria xiita.

Atualmente, os sunitas são perseguidos pelo governo xiita.

Na Síria, o EI também tem a simpatia de parte dos rebeldes que lutam contra o governo de Bashar Al Assad.

“Eles não reconhecem a legitimidade dos Estados que foram implementados no Oriente Médio, a partir dos interesses ocidentais, e então, simbolicamente, por exemplo, queimam os passaportes, as identidades nacionais.

Eles querem criar uma identidade árabe, mas com base numa sustentação sunita do Islã”, explica o professor da Universidade de Brasília (UnB) Pio Penna, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri).

Segundo Penna, a desestabilização do governo xiita no Iraque, que não soube se articular com os sunitas, outro ramo do islamismo, e com os curdos, etnia que vive no Norte do país, foi o cenário propício para a expansão do Estado Islâmico.

“O governo xiita não soube fazer uma composição adequada e sua legitimidade foi erodida.

O Estado Islâmico foi explorando essas brechas, principalmente na região Norte do país”, disse.

Para o professor, os Estados Unidos não conseguiram cumprir a promessa de levar democracia ao Iraque após a invasão de 2003, que resultou na queda de Saddam Hussein, e o Estado iraquiano foi se “esfacelando”.

“O nome inicial era Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que é a região da Síria.

Eles ganharam tanta confiança que mudaram o nome para Estado Islâmico, tirando a dimensão regional.

A noção do califado é voltar ao império árabe muçulmano”, diz Penna.

Grandes potências, como os Estados Unidos, a Alemanha, o Reino Unido e a França, elevaram suas preocupações e anunciaram a ampliação do apoio, com efetivos militares e armas, à resistência contra o EI – composta por curdos e xiitas, no Iraque.

Desde 8 de agosto de 2014, o governo norte-americano realiza ataques aéreos a alvos do Estado Islâmico, em apoio às forças curdas.

Ataques – O grupo extremista admitiu ter provocado a queda do avião russo, no dia 31 de outubro, no Sinai, no Egito, provocando a morte de 224 pessoas.

O Estado Islâmico também assumiu os atentados terroristas realizados em Paris, no dia 13 de novembro, que causaram 129 mortos e 352 feridos.

Os ataques terroristas ocorreram em pelo menos seis locais diferentes da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e o estádio nacional, onde acontecia um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.

O presidente da França, François Hollande, qualificou os ataques como um “ato de guerra” cometido por “um exército terrorista” contra a França.

Para o Estado Islâmico, os ataques de Paris foram uma resposta aos “bombardeios dos muçulmanos na terra do califado”.

A França participa na coalizão internacional que realiza ataques aéreos contra os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Após os ataques, a França decretou estado de emergência e ordenou a “intensificação” dos ataques contra o grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

No dia 19 de novembro, a França propôs ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução com “todas as medidas necessárias” para combater o Estado Islâmico.

O texto apela à comunidade internacional para que “redobre os seus esforços e a coordenação dos mesmos” no sentido de prevenir e impedir os atos terroristas cometidos pelo Estado Islâmico e por outras organizações terroristas associadas à Al Qaeda.

Financiamento – Embora ainda não haja comprovação, as suspeitas indicam que boa parte dos recursos que financiam o grupo vêm de doadores privados de países do Golfo Pérsico.

Apesar do apoio de combatentes de várias nacionalidades, o extremismo e a crueldade com que o Estado Islâmico atua são vistos como ameaça pelos sunitas moderados, que detêm o poder político em outros países da região, como Jordânia, Arábia Saudita e Turquia.

Para o presidente russo, Vladimir Putin, pelo menos 40 países financiam o grupo, entre eles alguns membros do G20.

“O financiamento, como sabemos, provém de 40 países entre eles vários países de G20”, disse Putin numa entrevista à imprensa, durante o encontro das 20 maiores potências mundiais, referindo-se ao tráfico de petróleo que financia o grupo.

Militantes – A maior parte dos militantes do Estado Islâmico vem de nações árabes, entre elas, a Arábia Saudita, o Marrocos e a Tunísia.

Estima-se que cerca de 3 mil cidadãos de países ocidentais também estejam entre os combatentes. Alguns levantamentos indicam que as nacionalidades dos voluntários do EI chegam a mais de 80. (EBC)

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