Governo correto ao evitar que serviço público seja “desmantelado” e colocado à serviço do mercado

Carlos Newton

Cabe então explicar que procuro me posicionar sempre na defesa dos direitos do trabalhador.

Acredito que o trabalho seja um dos mais sagrados direitos do homem.

Sem oportunidade de exercer um ofício e ser remunerado, a primeira coisa que se perde é a autoestima, logo em seguida vai-se embora a dignidade e depois o caráter segue sofrendo progressiva deterioração e há pais de família que acabam caindo na criminalidade.

A Constituição determina a obrigatoriedade de reajuste dos salários, é um dos principais direitos de quem trabalha, não se pode ser contra isso, significaria uma posição desumana e irrefletida.

Pensem bem: a crise é justificativa suficiente para que os servidores tenham seus vencimentos congelados?

Se for assim, teremos de deixar sem reajuste também a remuneração de todos os demais trabalhadores, indistintamente, inclusive o salário mínimo, pensões e aposentadorias.

Ato contínuo, seria necessário estabelecer uma ditadura e baixar um Ato Institucional para congelar os preços de todos os produtos e os serviços, estaríamos assim em pleno regime comunista, em sua pior qualificação.

Os servidores não podem nem devem ser punidos, eles não são inimigos do povo.

Pelo contrário, são nossos aliados.

Já basta o que sofreram na Era FHC, um governo verdadeiramente insensível em termos sociais, que levou o funcionalismo federal à penúria e criou uma imensa legião de neopetistas.

Na crise atual, o resultado de congelar os salários, tecnicamente, seria um tiro pela culatra, como se dizia outrora.

Significaria a completa derrocada do consumo, com o aumento da falência de empresas e um desemprego ainda maior.

Não se deve lutar contra reajustes salariais.

Temos de guardar as forças para travar outros combates, investir contra as mordomias e privilégios indevidos, a farra dos cargos comissionados, o abismo entre os maiores e os menores salários, o favorecimentos das ONGs, OSs e cooperativas com mau uso dos recursos públicos, os injustificáveis cartões corporativos, os automóveis de chapa-branca, os jatinhos à disposição e tudo o mais.

Mas o poder de compra dos salários não pode nem deve ser reduzido, para o bem de todos.

Opinião do editorCorretíssima a colocação do jornalista Carlos Newton.

O funcionalismo público não pode “pagar o pato” pela crise.

Os desmandos não tiveram origem naqueles que servem à máquina pública, na qual, se existem abusos e desvios, não são por culpa dos titulares de cargos e funções.

No Brasil há “orquestradores” propagando a tese de desmontagem do serviço público, aviltando-o e desqualificando os seus integrantes.

Para esses , o país deve ficar à mercê do mercado, sem controles, ou fiscalização, tudo em nome da redução de despesas e a redução dos tributos.

O estado seria regido pela lei da oferta e da procura, como se os seres humanos fossem simples mercadoria colocada à venda.

Omitem, entretanto, se na redução das despesas deverão ser incluídos, além dos cargos públicos,  os subsídios, incentivos, “tributo” com fins privados e isenções historicamente mal aplicadas.

As funções constitucionais do serviço público são de preservação dos interesses coletivos, incluindo os abastados e os miseráveis.

Além do mais, o aumento do funcionalismo, aprovado na Câmara, já está previsto na Lei orçamentária e não se constituirá aumento de despesa.

Uma das formas do país superar dificuldades é estimular o servidor, cujos exemplos de dedicação da PF, do MP e da justiça têm proporcionado, nos últimos tempos, inclusive aumento da receita pública.

Agiu correto o Presidente Temer, inclusive ao concordar com o aumento das vagas, abrindo espaços para o preenchimento de cargos, por concurso, em áreas carentes do serviço público.

Medida necessária, que aumenta o poder de compra da população e contribui para o crescimento do país.

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