Governo sabe que conteúdo completo das delações causará um abalo sísmico sem precedentes

Vera Magalhães

Ministério Público, a defesa da Odebrecht e o governo Michel Temer nutrem a mesma expectativa: que a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, homologue até amanhã as 77 delações de pessoas ligadas à empreiteira.

No âmbito da Lava Jato, a pressa de Rodrigo Janot se justifica por dois motivos: a necessidade de desencadear novas fases da investigação com a divulgação de todo o conteúdo da explosiva delação e liberar procuradores que atuam full time nos depoimentos para as próximas missões — entre as quais a primeira deve ser a retomada da delação de Leo Pinheiro, da OAS.

No governo, sabe-se que o conteúdo completo das delações causará um abalo sísmico sem precedentes na política, e a avaliação é que quanto antes se souber sua extensão menos danos ele causará ao andamento das ações do Executivo no Congresso.

Por fim, a conclusão da leniência da empreiteira está pendente. Só após definidas as penas na esfera criminal a Odebrecht poderá tentar voltar a se habilitar para participar de concorrências e obras no Brasil — o que não será simples nem imediato.

Além disso, a homologação é vista como uma chance de a empresa enfrentar a avalanche de contestações internacionais resultante da divulgação do relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre pagamento de propina em vários países.

O documento foi o maior baque recente no processo de recuperação da imagem da empresa, iniciado desde que houve a decisão de fazer a colaboração judicial.

ODEBRECHT

Delação de Benedicto é tão letal quanto a de Marcelo

Análises do potencial de dano das delações da Odebrecht convergem para o mesmo ponto: a de Benedicto Júnior, ex-presidente da construtora, não aniquila de vez só o PMDB do Rio, levando o governador Luiz Pezão ao encontro de seu criador, Sérgio Cabral.

Ela vai arrastar de roldão governadores de vários Estados e múltiplos partidos.

Era ele que “cuidava” das obras estaduais. Já Marcelo Odebrecht se concentrou na “cúpula” da política nacional: Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer puxam o bloco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s