Em matéria de “doações” considerar todos iguais abre espaço para um “salvador da Pátria”

Folha, hoje, 12, sobre “doações eleitorais”

Deputados e senadores já se debruçavam sobre projetos de anistia aos recebedores de doações por meio de caixa dois; pretende-se distinguir a prática, irregular mas corriqueira, de casos mais graves de malversação das verbas públicas.

Todo mundo vai ficar no mesmo bolo e abriremos espaço para um salvador da pátria?“, questionou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), defendendo que se diferencie quem se corrompeu para sua fortuna pessoal e quem se limitou a obter verba para a campanha.

Os perigos pela frente não se limitam à desmoralização indiscriminada de políticos.

Uma vez abertos os inquéritos, os promotores terão de buscar a comprovação cabal de atos de corrupção e seu nexo com as doações, tarefa muito mais difícil que a coleta de delações realizada até aqui.

Sem isso, acabarão frustradas expectativas criadas pela Lava Jato —ou os julgamentos do STF caminharão mais a reboque dos clamores da opinião pública que dos argumentos de acusação e defesa.

É nesse ambiente insalubre que o Congresso tentará votar uma reforma política que dê conta, entre outros temas, do financiamento das eleições.

Complexa em qualquer democracia, a discussão aqui parece fadada a se dar às pressas e sob as pressões do casuísmo.

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