Incerteza, insegurança e desemprego, no dia da eleição mais dividida do que nunca na França

Neste domingo, 23, acontecem as eleições mais imprevisíveis de toda a história da França.

Pela primeira vez na história da Quinta República da França, o ainda Presidente François Hollande decidiu não se recandidatar a um segundo mandato.

Na origem da decisão está a sua impopularidade, fruto da situação econômica do país e da forma como lidou com a questão do terrorismo.

A impotência de Hollande em serenar os ânimos no país é sintomática do clima de medo e tensão que vive a França, sob estado de emergência desde os atentados de Paris, em novembro de 2015.

Quando votarem, hoje, os franceses ainda terão a memória fresca com o ataque nos Campos Elísios, que causou dois mortos (incluindo a do atacante) e três feridos, bem como as detenções da passada terça-feira, em Marselha, de dois homens que planeavam atacar os candidatos presidenciais e que, alegadamente, teriam ligações ao Estado Islâmico.

Este clima de medo parece favorecer, particularmente, Marine Le Pen, que tem pedido medidas duras em relação aos estrangeiros, colocando no mesmo saco imigrantes e terroristas, bem como François Fillon, que também endureceu o seu discurso no que toca esta matéria.

A Frente Nacional aparece, pois, bem colocada para chegar ao segundo turno.

Em 2002, o então candidato da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, consegui passar ao segundo tutno, tendo sido derrotado por Jacques Chirac, que venceu com 82,21% dos votos contra os escassos 17,79% obtidos pelo pai de Marine.

Quinze anos depois, apesar de uma vitória final ser improvável, é arriscado descartar a possibilidade de Le Pen poder chegar ao Palácio do Eliseu.

No sistema eleitoral os franceses votam “primeiro com o coração, depois com a cabeça”, explica o The Guardian, o que ajuda a perceber o porquê de forças mais extremistas, como a Frente Nacional, serem afastadas do poder.

Contudo, depois da vitória do Brexit e da eleição de Donald Turmp para a presidência norte-americana, em 2016, tudo mudou.

Estes fantasmas vão pairar no ar, certamente, se a Frente Nacional chegar à votação final.

Sistema partidário fragmentado e ceticismo em relação à Europa

Se as sondagens estiverem certas, o segundo turno das presidenciais poderá ser disputada por dois candidatos fora do sistema partidário tradicional.

Caso tal aconteça, será a primeira vez em que nenhum dos candidatos dos partidos que têm governado França nos últimos 60 anos chegam à reta final.

Neste cenário, a antiga divisão entre esquerda e direita perde terreno para o confronto entre progressistas e conservadores.

“O realinhamento resultante [das presidenciais] terá repercussões muito para além das fronteiras de França.

Pode revitalizar a União Europeia ou destruí-la”, lê-se na Economist.

De olhos postos em França, os europeístas só têm motivos para ficarem preocupados.

Dos quatro candidatos com possibilidade de chegar ao Eliseu, apenas Emmanuel Macron defende abertamente o projeto europeu, não deixando, contudo, de realçar a importância de equilibrar os poderes entre Paris e Berlim.

Mélenchon e Le Pen, por seu turno, são bastante críticos em relação à União Europeia, apesar das diferenças na visão política e social de cada um para o futuro de França.

Já Fillon, defende a permanência francesa na Europa dos 27, apesar do seu ceticismo.

Todos os cenários estão em aberto para hoje.

Existem seis combinações de finalistas possíveis e a incerteza só será desvendada quando forem divulgados os resultados finais.

A disputa do segundo turno será daqui a duas semanas, no dia 7 de maio. (Mundo ao minuto)

Disputa-se, hoje, o primeiro turno das presidenciais na França. Emmanuel Macron e Marine Le Pen são apontados como favoritos à vitória, mas, no atual clima de incerteza e insegurança, não se pode descartar qualquer cenário.

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