Direitista Marine Le Pen, que disputa presidência da França, expulsou o próprio pai do seu partido

Jean-Marie Le Pen, de 88 anos, pai de Marine Le Pen, foi expulso do partido que fundou, em 2015 por ela – sua própria filha-, devido a declarações polêmicas de apoio ao Holocausto.

Análise do blog sobre a candidata Marine Len, que disputa presidência da França

Líder do partido de extrema-direita francês Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, de 48 anos, disputará o segundo turno das eleições francesas.

O crescente ressentimento com a União Europeia e os temores com a imigração têm favorecido a candidata.

O Parlamento Europeu suspendeu no dia 2 de março, a imunidade parlamentar de Le Pen.

Ela é deputada europeia e está sendo investigada por publicar no Twitter fotografias da violência do Estado Islâmico.

A candidata pediu a suspensão das investigações até as eleições, sob o argumento de que a ação judicial era uma interferência em sua campanha.

Não conseguiu sucesso.

Le Pen assumiu o comando da Frente Nacional depois que seu pai e fundador da legenda, Jean-Marie Le Pen, saiu há cinco anos.

Nascida em 1968, ela era a mais nova de três irmãs.

Quando tinha 8 anos, sobreviveu a um ataque com bomba na casa da família — realizado por inimigos de seu pai.

Aos 13 anos já participava de reuniões da FN.

Em 1992, Le Pen concluiu mestrado em Direito Penal pela Universidade de Paris e começou a trabalhar como defensora pública.

Três anos depois, casou-se com o colega de partido Franck Chauffroy.

Mais tarde se divorciaram.

O casal tem três filhos: Jehanne, 17 anos, e os gêmeos Louis e Mathilde, 15.

Le Pen tenta suavizar as opiniões de extrema-direita de seu partido e sua embaraçosa história antissemita.

Mas ela continua se opondo à “islamização” e à UE — o que tem impulsionado sua popularidade.

Após os atentados de Paris, Le Pen defendeu o combate ao terrorismo islâmico.

Ela também apoiou o Brexit no Reino Unido

Ao anunciar sua candidatura, Le Pen apresentou 144 “compromissos” se ganhar a eleição.

Na mesma linha de Donald Trump, Le Pen prometeu dar aos franceses o controle de volta do país e protegê-los da globalização.

Uma de suas principais promessas é reduzir a migração em 80%, para 10 mil pessoas por ano.

Ela quer ainda reduzir os impostos.

Cães e gatos

O fatídico destino do gato de Marine Le Pen, Artémis, poderia resumir a história da família dividida, que ambiciona reunir o apoio da maioria dos franceses nas eleições presidenciais da França.

O episódio verídico é um dos vários momentos tragicómicos de La Face Crashée de Marine Le Pen (A face oculta de Marine Le Pen), a primeira reportagem de investigação desenhada e em tom humorístico sobre a vida da candidata e presidente do partido Frente Nacional (FN).

Uma tensão crescente entre o octogenário e a que deveria ser a sua herdeira política, culminou com a morte do gato Artémis, entre as mandíbulas dos cães do patriarca – Sargento e Major – no jardim da luxuosa residência familiar dos Le Pen, em Montretout, nos arredores de Paris.

Entre cães e gatos, pai e filha, militantes neonazistas homofóbicos e conselheiros de esquerda homossexuais, a reportagem publicada retrata as contradições de Marine Le Pen e do partido que lidera.

Le Pen expulsou o próprio pai do partido

Depois de liderar a FN durante quatro décadas, Jean-Marie Le Pen, de 88 anos, foi expulso do partido em 2015 por sua filha devido a declarações polêmicas sobre o Holocausto.

Em novembro de 2016, um tribunal francês confirmou a decisão, mas decidiu que ele deveria ser autorizado a permanecer como presidente honorário do partido.

Em 2014, três anos depois de Marine suceder ao pai à frente da formação política de extrema-direita, Jean-Marie Le Pen não consegue digerir a mudança de discurso e de imagem do partido com que a filha tenta virar a página das décadas de posições sulfurosas – antissemitas, xenófobas e racistas – do fundador da Frente Nacional.

Uma política condenada a “matar” o pai para poder vingar suas posições, mas também uma filha comprometida a cuidar e a defender o progenitor na velhice.

O texto tenta responder à pergunta:

“Quem é verdadeiramente Marine Le Pen?”

Explora os “esqueletos no armário” da presidente da FN, que não estava destinada à carreira política.

Sempre teve relação tensa com o pai e uma profunda depressão aos 16 anos, após a fuga da mãe.

A irmã Marie-Caroline, mais velha, é que deveria ter sido a sucessora do pai, mas acontece que casou com um dissidente do partido e foi excomungada pelo pai.

.A matéria recorda as “amizades perigosas” de Marine no meio da extrema-direita mais dura, herdadas do pai, em contraste com as suas posições recentes, mais à esquerda, a favor do casamento homossexual ou contra a reforma laboral.

Marine é frequentadora assídua das noites parisienses.

A reportagem, transformada em livro (La Face Crashée de Marine Le Pen – A face oculta de Marine Le Pen) evoca também as declarações racistas e antimuçulmanas de vários militantes do partido dela, longe da posição mais moderada da candidata.

O pai Jean-Marie Le Pen não se conformou dela ter nascido mulher.

Esperava um filho homem.

“Deus castigou-me”, teria afirmado – e escolheu como padrinho de Marine um conhecido proxeneta dos prostíbulos de Pigalle.

Esse o retrato da direitista que deseja presidir a Franca, a partir de 7 de maio próximo.

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