Com a morte de Carlos Chagas, o país perde jornalista ético e comprometido com a verdade

G1-DF

Morreu nesta quarta-feira, 26,  o jornalista, professor e advogado Carlos Chagas, pai da ex-ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Helena Chagas.

Nascido em Três Pontas, em Minas Gerais, e morador de Brasília, ele iria completar 80 anos no próximo dia 20 de maio.

Em uma rede social, a ex-ministra na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff informou a morte do pai.

“Amigos, meu pai, jornalista Carlos Chagas, acaba de falecer. Era a melhor pessoa que conheci nesse mundo.”

Ao G1, Helena Chagas disse que o pai sofreu um mal súbito por volta das 6h desta quarta.

Ele já andava tendo de um ano para cá alguns problemas circulatórios, teve esquemia sem sequelas. Hoje foi um mal súbito. Entrou na UTI e estourou um aneurisma de aorta. Com isso, sei que ele não sofreu.”

Segundo ela, sem saber, o pai “convocou” a família para uma última reunião ainda no hospital.

Ele deu instruções: ‘Tem que pagar meu imposto de renda.

O cheque está lá em cima da mesa’.

São coisas que uma pessoa diz naturalmente”, descreveu Helena Chagas.

Ao descrever o pai como “muito lúcido e muito ativo”, Helena diz que a vida dele foi “muito bonita”.

Ele foi um grande jornalista. Um exemplo de seriedade, de amor à notícia, de honestidade. Não só para mim, mas para muitos outros alunos dele da Universidade de Brasília. Sempre com amor à notícia, amor à verdade.”

Agora, falando como filha, posso dizer que meu coração está despedaçado. Ele foi um grande pai, um pai maravilhoso e protetor. Falando como filha, não tenho mais palavras.”

Pesar

Chagas era professor emérito do curso de comunicação da UnB, onde lecionou por 25 anos.

Em nota, a direção da Faculdade de Comunicação lamentou a morte.

O presidente Michel Temer emitiu nota em que classifica Chagas como “uma das maiores referências” do jornalismo brasileiro.

Segundo o texto, ele “foi intransigente defensor da ética, em sua mais profunda definição” e deixa como legado “o compromisso com a verdade e a sua responsabilidade no trato da notícia”.

“Que a sua nobre lembrança conforte seus familiares e nos inspire na reconstrução de um Brasil grande e justo, como o idealizado e defendido por Carlos Chagas”, diz Temer na nota de pesar.

Publicação da ex-ministra Helena Chagas sobre a morte do pai (Foto: Reprodução)

 Trajetória

Chagas começou a carreira de jornalista no final do anos 1950, quando ainda cursava direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC).

A primeira contratação foi no jornal O Globo, em 1959.

Na década de 1960 trabalhou no palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, como secretário de imprensa do então governador Negrão de Lima, quem conheceu durante coberturas jornalísticas do Partido Social Democrático (PSD).

Chagas também trabalhou no jornal ” O Estado de S. Paulo” entre 1972 e 1988, sempre ligado a assuntos políticos.

Na televisão, o jornalista foi chefe da “TV Manchete” em Brasília e passou por outros três canais.

A última participação como comentarista político foi em dezembro do ano passado.

Durante a ditadura, em 1969, foi nomeado secretário de imprensa de Costa e Silva e escreveu 20 reportagens sobre os acontecimentos políticos da época, todas publicadas no Globo e em “O Estado de S.Paulo”.

A série ganhou um Prêmio Esso de Jornalismo e deu origem ao livro “113 dias de angústia” – ambos foram censuradas pelo regime militar.

Em 1995, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Chagas também publicou “Resistir é preciso”, uma coletânea de artigos escritos entre 1972 e 1974; “A guerra das estrelas”, de 1985, que aborda as sucessões presidenciais militares; e “Revolução no Planalto”, de 1988, sobre a redemocratização.

Na carreira acadêmica, Chagas foi professor do Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) durante 25 anos.

Ele ingressou em 1978 e foi titular das disciplinas “Ética e legislação nos meios de comunicação” e “Problemas sociais e econômicos contemporâneos” na graduação e de “Tópicos especiais” na pós-graduação.

Chagas casou-se com Enila Leite de Freire Chagas, com quem teve duas filhas.

Opinião do blog – Profundamente lamentável o falecimento do jornalista Carlos Chagas.

O editor do blog o conhecia e com ele compartilhou, nos últimos anos, de publicações periódicas de artigos no “Diário do Poder“, editado em Brasília, DF.

Era um profissional símbolo da ética, do compromisso com a verdade, do texto enxuto que transmitia credibilidade e sensatez nas análises políticas.

Não se excedia na voz compassada, nos gestos e também nos textos que escrevia.

O jornalismo brasileiro perde um excelente profissional.

Que Deus o receba na Eternidade e conforte a sua família, filhos e amigos.

O jornalista Carlos Chagas (Foto: Reprodução)

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