Debate entre “presidenciáveis” na França, marcado por violentos duelos verbais e acusações

O Diário de Notícias de Portugal descreveu detalhes do debate realizado ontem, 3,  na França, entre os candidatos Marine Le Pen e Emmanuel Macron, ambos na reta final de campanha, com as eleições marcadas para domingo próximo.

“A senhora é um parasita”, declarou Emmanuel Macron, no final do debate.

“Que classe!” comentou a sua adversária.

O tom dos minutos finais sintetiza bem o ambiente do debate de mais de duas horas e meia, em que não houve um ponto em que Macron e Le Pen não tivessem entrado em choque.

E não tivessem defendido soluções opostas em praticamente todos os assuntos.

Em certos momentos, travaram-se violentos duelos verbais e duras trocas de acusações.

Ambos não hesitaram em sobrepor a sua voz à do adversário nos momentos mais intensos.

O debate iniciou-se com uma esgrima de palavras entre Le Pen e Macron, com a primeira definindo o segundo como o candidato “da mundialização selvagem (…), da precariedade, da brutalidade social, do saque económico”, o candidato da “continuidade” com o mandato do presidente cessante, François Hollande.

Le Pen definiu-se, pelo contrário, como a “candidata do povo, da nação que protege os nossos empregos, e da segurança”.

Macron  classificou Marine como “a verdadeira herdeira de um nome, de um partido”, que “encarna o espírito de derrota” e que se dedica a sessões de “logorreia” (logorréia é um termo que caracteriza a necessidade constante de falar).

Reconhecendo a existência de um problema “que não foi resolvido” nos últimos 30 anos, o desemprego,  Macron afirmou que, ainda assim, a França é “quinta potência mundial” e quer dirigir “as enormes mudanças a fazer”.

Um dos pontos mais controversos foi o do terrorismo islamita, com Le Pen  acusando Macron de não querer lutar “contra o terrorismo e o fundamentalismo.

Segundo a candidata da extrema-direita, o centrista é apoiado por grupos ligados ao salafismo e aos islamitas, como a União das Organizações Islamitas de França.

Considerando que este não é um “debate de insinuações”, Macron assegurou que “a ameaça terrorista é a minha prioridade dos próximos cinco anos” e recordou que Le Pen “esteve contra todas as medidas que a Europa quis aplicar na luta contra o terrorismo” e “fechar as fronteiras é absolutamente irrealista”.

Para o candidato centrista, “o que os terroristas esperam é precisamente aquilo que a senhora representa, o discurso do ódio, da divisão, da guerra civil”.

Le Pen preferiu responsabilizar Macron pelo “ódio de alguns jovens à França”, recordando as palavras deste quando visitou a Argélia e afirmou que Paris cometera “crimes contra a humanidade” na época da colonização.

A resposta no plano judicial e das medidas de segurança à ameaça terrorista também dividiu os candidatos, com Le Pen defendendo a perda de nacionalidade e a expulsão de suspeitos enquanto Macron considerou fundamental o reforço dos efetivos policiais e uma maior celeridade processual nestes casos.

Num único ponto se manifestaram de acordo: “tolerância zero” para os grupos islamitas, de extrema-esquerda e violentos.

Sempre em tom de ataque, Le Pen acusou o ex-ministro de ter abandonado o governo apenas para preparar a candidatura ao Eliseu, surgindo agora, na prática, como defensor de Hollande, que o “apoia duas vezes por dia”.

O que Macron contestou, dizendo que “não estava de acordo com o governo e assumi as minhas responsabilidades. Assumi as minhas ruturas e as minhas escolhas”.

O tema seguinte foi a questão europeia, com a candidata afirmando que a “UE mata a Europa” enquanto Macron considerou que uma saída da União e do euro “é um projeto mortífero”.

Le Pen insistiu na necessidade de recuperar a soberania econômica e monetária e  “afastar a França” do euro.

Sobre a posição de França no mundo, Macron defendeu uma política “gaulista-mitterrandista, isto é, uma França forte e independente”, acusando a ex-presidente da Frente Nacional de ter “uma posição submissa” face aos “projetos de Vladimir Putin”.

A candidata da extrema-direita preferiu pôr acento tónico na necessidade de a França “respeitar todas as nações” e de não se sujeitar “a qualquer imperialismo”, permanecendo “insubmissa face à Alemanha e aos EUA”.

Para ironizar em seguida que, “a França será governada por uma mulher”, ou ela “ou a senhora Merkel”.

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