Perfil de Emmanuel Macron: pula etapas e à toda velocidade não espera a sua vez

Quando os outros ainda estão pensando, ele já passou.

Queima etapas à toda velocidade e não espera sua vez.

“Não demore em busca de resultados” é uma de suas frases favoritas — que vem do poeta René Char, seu autor preferido.

É o que Emmanuel Macron tem feito, dia a dia, desde antes de entrar para a política, incluindo neste domingo, quando os franceses podem torná-lo o presidente eleito mais jovem da V Repúnlica, fundada em 1958 pelo General Charles de Gaulle.

Os veteranos o olhavam e o consideravam demasiado jovem.

Ele igonorou, e decidiu concorrer aos mais alto cargo de seu país – ainda que, há três anos, ninguém além de um pequeno círculo em Paris conhecesse seu rosto ou seu nome.

E o avisavam que,s em partido, não ganharia. Macron criou um partido com nome de start-up californiana, o En marche! (Em marcha!, em francês).

Alguns se preocupavam: “é banqueiro, é liberal…”. Sim, e sem se envergonhar de seus anos no banco de investimentos Rothschild nem de seus desejos de romper com a rigidez do modelo social francês, se lançou à tarefa de persuadir milhões de cidadãos de que um pouco de liberalismo seria a melhor solução.

Lhe diziam que, para ser presidente, era preciso ter ocupado algum cargo antes — deputado, prefeito —, porque na França é preciso esperar a sua vez, e muitos esperam por anos e até décadas.

E ele, sem jamais ter concorrido em alguma eleição, pulou todas as etapas e foi direto buscar o bilhete de entrada para o Palácio do Eliseu.

— Quero fazer a primeira comunhão — disse, um dia, Macron a seus pais, Jean-Michel Macron e Françoise Noguès, ambos médicos.

Emmanuel tinha 12 anos e não era nem batizado, assim como o irmão e a irmã.

Emmanuel, então, foi batizado e depois fez a primeira comunhão.

Manu, como o chamam os amigos mais próximos, foi aluno do La Providence, escola jesuíta em Amiens, no norte da França. Vida burguesa e provinciana.

Acabou casando com Brigitte Trogneux, filha de uma família de comerciantes de chocolate, que antes foi casada com um banqueiro.

Quando a conheceu, ele tinha 16 anos e ela, 39. Os pais tentaram afastá-los, mas o tempo os reuniu.

Macron não fala muito sobre esse período, considerado por muitos fundamental para delinear sua personalidade determinada.

É o Macron que quer romper códigos, sem viver segundo as regras impostas. Em outro país isso seria considerado um delito; na França foi visto como uma novela.

— Voltarei e me casarei com você — disse ele, quando, ainda aluno,foi afastado da então professora.

Um jovem tão perfeito. Os pais tentaram dissuadi-lo, ele não escutou, mas foi para Paris continuar os estudos.

A chegada á capital de um rapaz provinciano em busca de poder e dinheiro é um lugar comum nas novelas francesas do século XIX.

MAcron, leitor de Stendhal, de Balzac e Flaubert, é o protagonista de umas destas aventuras.

Ao abandonar Amien, Macron se emancipa, carimba sua liberdade e passa a perseguir a “meritocracia francesa”.

Seu percurso acadêmico está cheio de palavras e siglas que parecem jargões incompreensíveis, mas que na França são símbolos de status: khâgne, Sciences Po, ENA, a Inspeção das Finanças.

Emmanuel Macron, o candidato que promete romper com o status quo, é o mais bem acabado produto desse status quo, uma criação do sistema.

Mas sempre, isso sim, com um pé fora: enquanto se prepara para dirigir o país, colabora com o filósofo Paul Ricoeur; mais tarde, enquanto exerce a função de banqueiro, ajuda com candidato soalista, François Hollande.

— O que estará fazendo em 30 anos? — lhe perguntou, certa vez, Alain Minc, figura central do establishment francês.

— Serei presidente da República — respondeu o jovem Macron, então ainda distante da poítica.

Emmanuel Macron gosta de escutar os conselhos dos veteranos. Dizem que é um sedutor de idosos como o próprio Minc e Jacques Attali, conselheiro e mentor de presidentes, especie de oráculo político e econômico em Paris.

— Quando o vi, logo soube que era excepcional — comentou Attali.

Sobre a juventude de Macron, ele lembra que “os grandes conquistadores tinham 30 anos”.

Macron, o conquistador, não quer cair na busca por seus objetivos.

— Superou etapas em sua vida, às vezes com decisões cortantes, como se marchasse rumo a Paris antes do previsto, para ganhar sua liberdade — explicou Marc Ferracci, um de seus melhores amigos — também buscava liberdade quando se tornou investidor: queria a liberdade material, ganhar dinheiro.

A liberdade é um fio vermelho em suia vida — completou Ferracci.

Em Rothschild, como em cada etapa de sua vida apressada, Marcon brilhou e foi chamado de “Mozart das finanças”.

Celebra uma acordo milionário de compra de uma filial da farmacêutica Pfizer pela Nestlé.

Ficou rico. Mas não era sua vocação e entra na política, com o atual presidente Hollande. Primeiro, a sala de máquinas do Palácio do Eliseu.

Mais tarde, no ministério da Economia, onde em agosto, frustrado com a lentidão das reformas, decide concorrer à presidência.

Segurando uma crítica pós-moderna de “grandes narrativas”, Macron escreveu há alguns anos na revista de filosofia Esprit, que esperava anunciar, na política, “grandes histórias”.

A dele, que hoje pode culminar no Eliseu, é uma delas.

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