Em certo momento da audiência, Moro põe Lula contra a parede

Estado

O juiz federal Sérgio Moro passou uma descompostura no ex-presidente Lula durante a audiência realizada nesta quarta-feira, 10.

Moro fustigou o petista com seguidas indagações sobre declarações que ele fez durante em evento do PT na sexta-feira, 5.

“Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam’, disse Lula, na ocasião, o que provocou irritação entre os investigadores da Lava Jato.

O que o sr. quis dizer com esse tipo de declaração?”, questionou o juiz durante o interrogatório a que Lula foi submetido na ação penal do caso triplex.

“Eu quis dizer o seguinte. A história não para com esse processo, a história um dia vai julgar se houve abuso ou não de autoridade nesse caso do comportamento, tanto da Polícia Federal quanto do Ministério Público, no meu caso.”

“E o sr. pretende mandar prender os agentes públicos?”, insistiu o magistrado na admoestação.

“Como é que vou saber, nem sei se eu vou tá vivo amanhã”, esquivou-se Lula.

“Foi o que o sr. afirmou lá (no evento do PT).”

“Uma força de expressão. O dia que o sr. for candidato o sr. vai ter muita força de expressão”, disse o petista.

“Acha apropriado um ex-presidente da República dizer isso?”, seguiu Moro.

“Acho que não, acho que não.”

Interrompido seguidas vezes por advogados de defesa, Moro destacou que sua pergunta tinha carárer jurídico.

E repetiu.

“O sr. acha apropriado esse tipo de declaração?’

Cristiano Zanin Martins, um dos defensores de Lula, anotou que a ação na qual o ex-presidente estava sendo interrogado se refere ao caso do triplex do Guarujá

“Manifestações políticas do ex-presidente não devem ser objeto desse depoimento”, disse Zanin.

Outro defensor de Lula, o criminalista José Roberto Batochio, disse que ‘vossa excelência só tem autoridade para julgar’.

Moro voltou a pôr Lula contra a parede. “Vou manter a minha pergunta jurídica. A afirmação feita pelo sr. no curso do processo, o sr. acha apropriado esse tipo de declaração pública?”

“Já falei que foi um ato de força de expressão. Sabe, primeiro presidente não manda prender.”

“E o sr. vai continuar fazendo esse tipo de declaração?”

“Não sei, não sei, não sei.”

“Que vai prender os agentes públicos?”, perguntou Moro.

“Não sei, não sei, não prendo. Presidente não prende ninguém, não conheço na história, a não ser no regime autoritário.”

“Então, talvez o sr. não devesse fazer esse tipo de declaração”, advertiu o juiz da Lava Jato.

Lula, então, falou dos grampos da Lava Jato que pegaram diálogos dele com a ex-primeira dama Marisa Letícia e outros familiares.

“Com todo o respeito, todos nós devemos tomar cuidado com as declarações.

O sr. sabe, por exemplo, da mágoa profunda, eu tenho mágoa profunda, conversas minhas com minha mulher.

Eu nunca falei nada. Eu tô tranquilo, vamos esperar.

O tempo se encarrega de contar a história.”

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