“Blog” opina: “por quê a alta de juros nos Estados Unidos é má notícia para nossa economia?”

Do editor

Ontem, 14, o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) decidiu elevar a taxa de juros do país pela segunda vez neste ano, para a faixa entre 1% e 1,25%.

Com isso, os juros ficarão acima de 1% pela primeira vez desde a crise financeira de 2008.

Surge logo a indagação: a economia brasileira, em fase de recuperação, será afetada?

A resposta é sim.

Por quê?

Na crise financeira de 2008, os Estados Unidos anunciaram a redução da taxa de juros básica do país para 0,25%.

A principal intenção era baratear o custo de empréstimos às instituições financeiras atingidas pela debacle.

Com dinheiro no caixa, os bancos poderiam conceder mais financiamentos à população e estimular o consumo.

Em decorrência, muitos investidores deixaram de aplicar nos Estados Unidos.

Preferiram economias emergentes como o Brasil, que atraiu muitos capitais, em razão dos juros altíssimos praticados internamente e a certeza de taxas mais altas de retorno.

O capital externo passou a financiar artificialmente a astronômica dívida interna do país.

As medidas do Federal Reserve sempre tiveram um prazo de validade, que se vincula à recuperação da economia americana.

Na medida em que o consumo ganhava força e o mercado de trabalho se aquecia, com o aumento da criação de vagas e redução da taxa de desemprego, o Fed começou a reduzir os incentivos e consequentemente optou pela elevação lenta das taxas de juros.

O bom desempenho da economia dos Estados Unidos em 2014 (crescimento de 2,5% no período do PIB), aliado à forte recuperação do mercado de trabalho e redução do desemprego, oferece a base que o Fed precisava para voltar a elevar o juro.

Com a alta do juro nos Estados Unidos, a tendência será criar-se no Brasil uma tendência inversa.

A taxa de juro mais elevada lá, além de indicar confiança maior do Fed na retomada da economia dos EUA, torna mais rentáveis os títulos americanos — considerados os mais seguros do mundo.

Soma-se isso ao péssimo momento político e econômico brasileiro, e a tendência é de que ocorra uma migração dos investidores estrangeiros que hoje aplicam dólares e sejam atraídos pelo Tesouro americano.

Como o dólar também obedece à lei de oferta e demanda, quanto menos tem no Brasil, mais alto o preço ficará.

Essas, pelo menos, são as perspectivas, a partir de ontem, quando, mais uma vez, subiram os juros americanos.

Uma má notícia para oi Brasil, numa hora que se anuncia a recuperação da economia.

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