Ney Lopes: “Fui vice prefeito de Natal de Wilma e participei da “arrancada” dela na política”

Ney Lopes

Com o falecimento hoje, 16, de Wilma de Faria relembro os idos de 1988.

Foi o início da vitoriosa carreira dela à frente do poder executivo de Natal (eleita três vezes) e do Estado do RN (dois mandatos).

Participei ativamente dessa “arrancada” de Wilma na política.

Em 15 de outubro de  1988 fui eleito com ela vice-prefeito de Natal.

Recordo as conversas de bastidores, antes de iniciar a campanha.

Ela temia as ausências permanentes de Natal, no período da pré-campanha.

Sendo deputada federal (eleita em 1966) participava à época na Assembleia Nacional Constituinte, que exigia presença em Brasília, até nos finais de semana.

Wilma tinha consciência de que seria dificílimo ganhar a disputa pela Prefeitura e vice Natal.

O candidato opositor era o deputado federal Henrique Alves, em pleno auge do seu prestígio.

Contava com o apoio do seu primo, Garibaldi Alves, então prefeito de Natal.

No governo do estado, Geraldo Melo entrou “pra valer” na campanha, ajudando Henrique.

O seu pai, Aluízio Alves, ocupava um ministério no governo do Presidente Sarney, de quem a família Alves era da intimidade.

Henrique contava, portanto, com os governos municipal de Natal, estadual do RN e a Presidência da República.

Wilma, em conversas nos bastidores, temia uma segunda derrota à Prefeitura de Natal.

Em 1985 enfrentara o então deputado Garibaldi Alves e perdeu a eleição.

Convidado para compor a chapa com ela, como vice-prefeito, sempre a encorajei.

O primeiro problema foi à decisão de Vilma apoiar Leonel Brizola para Presidente da República, na eleição de 1989.

Ela se filiou ao PDT.

Esse foi o primeiro sinal da sua disposição em mudar os comportamentos tradicionais da política do RN.

Os “Maias”, à frente o ex-governador Tarcísio Maia e o filho senador José Agripino, tinham compromisso já firmado com Fernando Collor de Melo, o preferido do PFL.

Houve mal estar e resistência, diante dessa decisão de Wilma.

Quase foi inviabilizado o apoio para sua pretensão de ser prefeita de Natal.

Como filiado ao PFL tive participação ativa nas articulações, buscando alternativa de consenso, que afinal foi conseguida.

Finalmente, o PFL-RN apoiou a sua candidatura e indiciou-me como vice-prefeito, na chapa.

Com temperamento resoluto, Wilma me procurou e disse que só aceitaria o meu nome, se tivesse o compromisso do meu apoio à Brizola.

Como tinha admiração pelo ex-governador gaúcho, por sua prioridade à educação, disse-lhe que apoiaria, porém iria conversar com Dr. Tarcísio e José Agripino.

Os dois me liberaram, como também o então senador Lavoisier Maia, esposo de Vilma.

Parti para a campanha, na oposição declarada ao governo Sarney e com a antecipação de solidariedade à Brizola, na disputa que iria ocorrer em 1989.

Para compensar as ausências de Vilma, ocupada na Assembleia Constituinte em Brasília, lancei sozinho a campanha nas ruas de Natal, com comícios relâmpagos em vários bairros da cidade.

Somente menos de um mês antes da eleição, o recesso do Congresso permitiu dedicação integral de Wilma nas caminhadas em Natal.

Foi uma campanha memorável.

Conseguimos mobilizar a alma dos natalenses, que durante noites inteiras nos acompanhavam, em passeatas iniciadas no início das tardes.

Natal se tornou conhecida nacionalmente, por conta dessas passeatas extravagantes, sem hora para terminar, com o povo em vigília permanente.

No início de outubro de 1988, o pré-candidato à presidente Leonel Brizola veio a Natal, nos apoiar pessoalmente,

Foi hóspede da minha residência, situada à rua Romualdo Galvão, aquela época.

Conversamos bastante, no período que antecedeu o grande comício na Praça Gentil Ferreira, no Alecrim.

Já admirava Brizola. Passei a admirá-lo ainda mais.

Teses consistentes e sinais de sinceridade.

O comício foi uma apoteose.

As lideranças do PFL locais – Tarcísio Maia e José Agripino – não compareceram.

Até o dia da eleição – 15 de outubro – as pesquisas eram controversas.

Um dado comum: quem ganhasse seria por muito pouco.

Assim aconteceu: Wilma e eu ganhamos a eleição por uma diferença de menos de 10 mil votos.

A partir dali, a “guerreira” – como passou a ser chamada -, iniciou a sua trajetória de sucesso, chegando ao governo do estado, por duas vezes.

A sua morte deixa um vazio de liderança no RN.

Os amigos, correligionários e até adversários, todos são unânimes no reconhecimento ao seu talento político, capacidade pessoal e tenacidade na busca de objetivos.

Agora, ela descansará na Eternidade, após ter cumprido o seu papel e exercido a sua vocação na terra.

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