Homenagem póstuma do editor ao seu ex-aluno, o poeta Bob Motta, falecido em Natal

Bob Motta ao lado de Ariano Suassuna, de quem foi amigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Faleceu em Natal, RN, Roberto Coutinho da Motta, o poeta Bob Motta, membro da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, da União Brasileira de Trovadores – UBT – RN, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Na última vez que o vi, no supermercado Redemais de Nova Descoberta, em Natal, perguntou-me pelo seu amigo e colega de turma no Marista, o meu irmão Gileno.

Lamentou (como fazia sempre) ele ter morrido tão cedo.

Bob foi meu aluno de OSPB (Organização Política e Social do Brasil) no Colégio Marista, no início dos anos sessenta.

Cordial, astuto, inteligente, revelava desde cedo, os sinais de sua irreverência sertaneja, mais tarde expressada em textos memoráveis da literatura de cordel.

Filho de um dos maiores industriais da histórica empresarial do RN, João Coutinho da Motta, sempre foi humilde, afável e brincalhão.

Adorava a sua mãe, Dona Severina, que também conheci, uma mulher dedicada aos filhos e a família.

Lamento não dispor do texto que Bob escreveu dedicado à Da Severina.

É realmente uma peça literária de amor filial.

Entretanto, para destacar o talento de Bob Motta, transcrevo a seguir a poesia “Minha história”, onde manifesta o seu desejo de aproximar-se de Deus.

“Minha História

Á PROCURA DE DEUS

Um homem desesperado,

nos trôpegos passos seus,

no álcool, infeliz da vida,

desgrudou dos fariseus;

num desespero profundo,

saiu pelo meio do mundo,

louco, à procura de Deus.

Foi lá na Igreja Católica,

procurou lá no altar.

No templo dos protestantes,

todos estavam a orar.

E êle, de cima a baixo,

não sossegava o seu facho,

e nada de a Deus, encontrar.

Foi ao terreiro de humbanda,

danou-se a bater tambor,

foi à Igreja Universal,

até à Deus É Amor.

E encontrar, não conseguia,

procurando, noite e dia,

Jesus Cristo, o Salvador.

Na incessante procura,

chegou à beira do mar.

Desanimado e exausto,

sentou-se prá descansar.

E logo que êle sentou,

um garotinho, avistou,

bem sorridente, a brincar.

Acercou-se do garoto,

dizendo, de alto e bom som:

Ei; você que está brincando,

vestindo short marrom;

me diga onde Deus está;

que eu lhe dou, pode apostar,

uma caixa de bombom.

E o menino, ao mesmo tom,

lhe disse: Êle está nas ruas,

e no mundo, em todo canto,

com as mizericórdias suas.

Se queres mesmo apostar,

diga onde êle não está.

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