As “pedras nos sapatos” de Claudio Santos e Fátima, na corrida pelo governo do RN

O jornalista César Santos, em sua coluna, no “Jornal de Fato” comenta investidas de dois candidatos a governador do RN, nos últimos dias.

O desembargador Cláudio Santos decidiu: deixará o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) para colocar o seu no tabuleiro da sucessão estadual 2018.

A decisão será oficializada em fevereiro próximo, quando o Judiciário retornará das férias de fim de ano.

Ele, inclusive, já comunicou aos colegas de Corte.

E não voltará atrás.

Cláudio Santos quer ser candidato a governador.

Ideia fixa.

Ele entende que o caminho está aberto diante de um cenário de incertezas que afeta os políticos tradicionais.

A sua chance, observa, é alimentada pela fragilidade do governo Robinson Faria (PSD)”.

Em relação à senadora Fátima Bezerra registra o jornalista César Santos:

“O nome está definido: Fátima Bezerra.

A senadora aceitou o desafio.

E iniciou a caminhada.

A parlamentar vem percorrendo o estado com o “Seminário do PT” em preparação às eleições do próximo ano.

A agenda é cumprida nos finais de semana, quando Fátima retorna de suas atividades parlamentares em Brasília.”

Opinião do blog – No contexto desses dois candidatos lançados cabem algumas observações, que somente serão respondidas na campanha e pós-abertura das urnas.

A análise começa, a partir de “pedras no sapato” dos dois.

Senão vejamos.

Cláudio Santos condena a “velha política” e quer ser o “novo”.

Ao mesmo tempo, notoriamente busca ( e desesperadamente) o apoio da chamada “velha política”, ao tentar aproximar-se dos grupos tradicionais Alves e Maias, que o subestimam, na medida em que lançam o nome de Carlos Eduardo.

Seria uma contradição?

Ou, Cláudio Santos quer mesmo é valorizar-se para ser vice, candidato ao Senado, ou suplência?

Ser candidato a governador com estilo “novo” e “inovador” pressupõe acreditar na liberdade do voto, sem agredir necessariamente as forças tradicionais, porém não buscar cooptá-las no palanque e partir para a luta nas ruas.

Depois é depois.

Quem vier apoiar será avaliado

Será que o povo acreditará “no novo” que de saída se associa a quem o próprio candidato chama de “velha política”?

Para um “novo” ganhar eleição, considerando a tradição política do RN, somente será possível se ocorrer uma “zebra”.

A primeira coisa, portanto, desse “novo” seria acreditar nessa “zebra”, montar uma palanque mesmo com pequenos partidos e ter um discurso que mobilize o Estado.

O “novo” só ganharia com um discurso “novo” e não com apoios tradicionais.

Se apoios tradicionais valessem Henrique, Vilma e seus aliados teriam sido vitoriosos em 2014.

Outro aspecto levantado pelo jornalista César Santos refere-se a Cláudio Santos ter origem em solo das oligarquias do estado.

Ele sempre foi ligado a ex-governadora Wilma de Faria (falecida em junho deste ano).

Essa vinculação pretérita não comprometerá Cláudio Santos.

Trata-se de uma circunstância normal em  qualquer candidato que se apresente, pois na política é compreensível reciclar e adotar novos posicionamentos, de acordo com as mudanças sócio econômicas.

Ademais seria impossível alguém fazer política no RN, sem ter pertencido a partidos de lideranças tradicionais.

Bastaria lembrar que o PT de Fátima Bezerra foi aliado de Robinson em 2014, o que não obriga a preservação do discurso e compromissos daquela época, em 2018.

Anteriormente, em 2008, Fátima Bezerra (PT) candidata à prefeita de Natal foi apoiada por Garibaldi, Henrique e todo o PMDB.

O que “valerá” , portanto, na campanha do próximo ano serão o palanque com apelo popular, as propostas e ideias inovadoras postas diante do eleitor, em função das profundas mudanças ocorridas no país.

E, sobretudo, a credibilidade do discurso dos candidatos, em função de serem “ficha limpa”, com serviços já prestados ao estado e ao país, em qualquer atividade exercida.

Mesmo considerando que certos candidatos tenham frequentado outros palanques no passado, a coragem de assumir discurso “novo” em 2018 poderá levar ao reconhecimento nas urnas, nesse momento de instabilidade, no qual o povo busca um “voto seguro”.

Já a senadora Fátima Bezerra tem outros problemas.

A sua trajetória é de apoio ao sindicalismo.

Por mais justas que sejam algumas reivindicações, ela conseguirá governar com os sindicatos?

Por outro lado, há quem admita que a candidatura de Fátima Bezerra ao governo “não lhe trará qualquer prejuízo político, nem mesmo se ela não conseguir se eleger governadora”.

O seu mandato vai até 2022.

Os que fazem esse raciocínio partem do princípio de que no lançamento de campanha Fátima está bem.

Todavia, seriam apenas os 25 a 30 por cento no máximo de votos ideológicos do PT no Estado.

Não passaria disso e ela perderia a eleição.

Só resta a pergunta: perderia pra quem, se até agora nem candidatos existem?

A lei da física diz que, quando se constata um vácuo, a tendência é que outra força preencha esse espaço vago.

Nesse particular, Fátima está preenchendo o vazio, até agora.,

Isso inegavelmente poderá lhe ajudar em 2018 e a “zebra” ser ela, simplesmente por ter acreditado, naquilo que outros não acreditaram.

Em resumo: ganhar ou perder em 2018 será acreditar ou não se o Brasil mudou.

Se mudou abrem-se chances de vitória para quem tenha discurso com começo, meio e fim; ficha limpa e serviços prestados no passado.

Se nada mudou, o eleitor vai premiar os de sempre, assegurando-lhes a vitória, com o uso dos métodos tradicionais.

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