Análise e viabilidade eleitoral dos possíveis candidatos à presidência da República

 João Paulo Jales dos Santos. Estudante do curso de Ciências Sociais da UERN – Mossoró, RN

O quadro eleitoral para a sucessão de Michel Temer nos últimos dias ficou menos nebuloso com o acordo no PSDB para que Geraldo Alckmin assuma à presidência do partido.

O acordo que une apoiadores e oposicionistas de Michel Temer no ninho tucano não resolve toda a arenga e descompasso que vive internamente o PSDB.

Precisar-se-á de mais tempo para ver qual a real capacidade que terá Alckmin de juntar os cacos do partido em torno de seu nome.

Mas só o fato de conseguir unificar os gladiadores tucanos em torno de si já é um bom sinalizador no campo da centro-direita.

Mesmo estando desgastado, o PSDB ainda é o principal polo da direita.

O partido é aquele com maior capacidade de arrecadação de caixa eleitoral, que têm os melhores quadros técnicos para compor governo, e uma sólida estrutura partidária montada nas regiões do país.

A queda das pretensões de João Doria, e fortificação de Alckmin, dá ao espectro centrista da direita uma razoável estabilidade.

No campo da esquerda tudo ainda se restringe há uma pergunta, conseguirá Lula ser o candidato?

As indicações apontam que não, e o próprio núcleo petista já trabalha com essa possiblidade.

Tendo sua candidatura barrada, o ideal seria Lula apoiar um candidato de sua preferência, levando esta candidatura ao segundo turno.

Mas uma dúvida surge de pronto, qual seria esta candidatura?

E o entrave é exatamente esse.

Lula até aqui não tem um nome competitivo para apoiar, tanto dentro como fora do PT.

Competitivo porque além de passar para o segundo turno teria este nome que vencer a disputa.

O ideal seria encontrar alguém com o perfil de Lula, que consiga apoio nos bolsões do país e alcance êxito entre as classes baixa e média urbanas.

Não conseguindo um nome competitivo para ungir, Lula e a cúpula petista esbarrarão num dilema: apoiar alguém para perder no segundo turno ou radicalizar a disputa conclamando a base lulopetista para boicotar a eleição?

Estando sua candidatura cassada, se Lula entender que os benefícios de não apoiar ninguém sejam mais rentáveis, a comoção que tomará de conta da base eleitoral do ex-presidente será usada para desestabilizar a eleição.

Os satélites de direita que rodeiam Michel Temer não tem efetivamente nenhuma candidatura para chamar de sua.

A postulação de Henrique Meirelles é um balão de ensaio, além de ser eleitoralmente fraca.

Caso saia candidato, Meirelles terá uma candidatura com alta probabilidade de desidratação.

A altíssima impopularidade de Temer seguirá até o termino de seu mandato, uma via-crúcis que impossibilitará o ungido do presidente de nem sequer passar para o segundo turno.

O que possivelmente fará o núcleo direitista pró-Temer é abraçar a candidatura que sairá do PSDB, indicando o vice.

Uma decisão contrária a isso tende a ser um erro crasso.

Afora estes campos e agrupamentos, todas as outras postulações para o Palácio do Planalto são penduricalhos, com as exceções de Marina Silva e Jair Bolsonaro.

Marina tem um eleitorado fiel, mas suas duas candidaturas demonstraram que ela padece de alargar sua cativa base para alçar voos maiores.

Se for candidata pela 3º vez consecutiva flertará com mais uma derrota já no primeiro turno.

Já Bolsonaro é um quadro que não deve ser subestimado.

O deputado pelo Rio de Janeiro possui uma pauta conservadora que vai ao encontro de uma numerosa parcela da população.

Mas só isto não será suficiente para que o parlamentar chegue ao segundo turno.

Se quiser vencer, Bolsonaro terá que ter soluções socioeconômicas palatáveis para apresentar ao eleitorado.

E só nisso já se tem um entrave.

Saindo do vernáculo barato que vende, Jair Bolsonaro não tem absolutamente nenhum feito, tanto na carreira militar como na de parlamentar.

Vazio em conteúdo, o deputado do Rio agora posa de liberal para amealhar algum apoio do mercado, mas não passa de um nacionalista que propaga uma retórica que agrada aqueles que se incomodam com os avanços das minorias.

Um nativista de marca maior, Bolsonaro propagada ódio para usufruir do horror da ignorância.

Certamente se for candidato terá dificuldades estruturais para lograr êxito na campanha.

De todo modo, só o fato de estar com forte presença numa considerável fatia da população, principalmente os jovens, já é sintomático do quão perigosa e permissível é a onda reacionária que toma de conta do país.

O florescer de Bolsonaro possui correlação com os erros cometidos pelo establishment político.

O grande passivo da corrupção e ineficiência administrativa que a elite política acumulou ao longo dos anos alça Bolsonaro ao estrelato indigesto do Brasil.

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