Tribuna do Norte de hoje: “50 anos da Turma da Liberdade”, com JK paraninfo

Tribuna do Norte, jornal editado em Natal, RN, publica hoje, 8, artigo de Ney Lopes sobre os 50 anos de graduação da “Turma da Liberdade”, da Faculdade de Direito de Natal, RN, cujo paraninfo foi o Presidente Juscelino Kubitschek, punido à época pela Revolução de 1964.

O texto do artigo:

A “Turma da Liberdade”, da Faculdade de Direito de Natal (UFRN), completa cinquenta anos de graduação, neste 8 de dezembro de 2017.

Lembro como se fosse hoje a solenidade no Teatro Alberto Maranhão, no dia de Nossa Senhora da Conceição. 

Fui o orador oficial; Carlos Jussier Trindade dos Santos, orador na aposição da placa e Vitória dos Santos Costa, oradora da “aula da saudade”.

Vivíamos a véspera de 1968, aquele ano-calendário que Zuenir Ventura qualificou como “o ano que não terminou…” .

A Turma correu sérios riscos ao escolher como Paraninfo, o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, cassado pela revolução.  

Antes de proferir o discurso fui pressionado pela censura e ameaças de prisão, o que não impediu de destacar, que o Mestre Edgar Barboza, o nosso Patrono, havia nos ensinado a “resistir contra aqueles que, azeitados pelo toque mágico das moedas, fabricavam atos excepcionais a grosso e a varejo e, como proxenetas políticos, satisfaziam a lascívia dos Poderosos, sugerindo-lhes fórmulas destruidoras da tradição democrática brasileira, insensíveis às lamentações desesperadas do povo que, como Antígone na tragédia grega reclama justiça e liberdade.”

A denominação de “Turma da Liberdade” não foi por acaso.

Resultou de reflexões de todos os Colegas, diante do perigo de destruição do nosso fadário.

Como futuros profissionais livres tínhamos o dever de firmar o propósito de defender a liberdade.

Ao falar em nome de todos, interpretei esses sentimentos, ao afirmar: 

“Simbolicamente nos achegamos a um altar. Não para subir e pavonear vaidades. Mas para, com a tranquila atitude de humildade do fiel, na beleza da oferta e da dedicação, acendermos, juntos, uma vela votiva, símbolo do culto aos valores imperecíveis da liberdade humana e, ao mesmo tempo, repelirmos os iconoclastas do nosso Templo Sagrado”.

A nossa atitude assemelhou-se às lutas estudantis contra o corsário Le Clerc; na Inconfidência Mineira com a figura admirável do estudante Álvares de Azevedo e na guerra do Paraguai, quando partiram universitários do Recife como voluntários. 

Meses depois, com o advento do AI-5, começaria o momento mais duro da Revolução de 1964, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime, ou como tal considerados. 

As suspeitas continuaram a recair sobre mim pelo discurso proferido e em razão de ter sido em 1966, candidato a deputado federal pelo então MDB, partido que ajudei a fundar no RN e era a única voz de oposição aos militares à época. 

Alguns, ainda hoje considerados “democratas”(!!!), me denunciaram como “antirrevolucionário”, em colunas de jornal local.

Até perdi função exercida na Federação das Indústrias do RN, onde prestava assessoria de comunicação, por pressão desses “democratas e fraqueza dos então dirigentes”. 

Por fim recordo, com emoção, os meus colegas da “Turma da Liberdade”: Adelgimar Diniz Rocha, Carlos Borges de Medeiros, Carlos Jussier Trindade dos Santos, (orador na aposição da placa), Deífilo Gurgel, Eudes Bezerra Galvão, Expedito Rufino de Figueiredo, Ferdinando Luis Patriota, Fernando Justino de Souza, Fred Galvão, Glênio Aquino de Andrade, Hamilton de Sá Dantas, Iaris Cortês de Lima, Ieda Amorim Martins, Ilnar Gurgel Rosado, Ismael Wanderley Gomes Filho, Jaymar Medeiros, Jobel Amorim das Virgens, José Aranha Sobrinho, José Jarbas Martins, José Luciano Limeira, Joseri Alves, Manuel Onofre de Souza Junior, Maria das Dores Xavier de Souza, Ney Silveira Dias, Nivaldo de Carvalho, Othon Donaldson de Oliveira, Pedro Simões Neto, Raimundo Nonato Teixeira, Regina Coeli Barbosa, Romeika Lucena, Ruy Barbalho de Meiroz Grilo, Selma Maria Dantas de Paiva, Sônia Ivanise Bandeira do Amaral, Vitória dos Santos Costa (oradora da “aula da saudade”), Waldemir Patriota e Zuleide Teixeira de França.

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