A saudade do acreano, que nasceu num seringal

José Maria Chaves Pinheiro Lopes – admirador do “blog”

A todos os cidadãos é reconhecido o direito de exaltar os seus heróis na vida.

Neste 21 de dezembro ouço os acordes de “Naquela Mesa”, composição emblemática de Sergio Bittencourt, em homenagem ao seu pai, o ícone da MPB, Jacob do Bandolim.

A estrofe que ficou na minha lembrança é naquela mesa, onde ele sentava sempre e me dizia sempre o que é viver melhor”.

“Ele” é o meu Pai, Wober Lopes Pinheiro, que hoje faria 104 anos de idade, se vivo fosse.

Nascido dentro de um seringal, no estado do Acre, o seu pai, Luiz Lopes de Oliveira, foi um dos líderes da Revolução Acreana, que conquistou e incorporou ao Brasil o território do Acre.

Os sobreviventes dos seringais da Amazônia simbolizam a prova da tenacidade humana, por terem sido capazes de vencer as extremas limitações da natureza inóspita.

Nas conversas em família, o meu Pai lembrava que, ainda criança, os seus genitores levaram-no muitas vezes para conhecer a as Estradas de Seringa, lugares em que as experiências com o trabalho eram vivenciadas, através da extração do látex das seringueiras, tornando possível a transformação em borracha natural.

Em busca de novos horizontes, a família deixou o Acre e transferiu-se para o município de Lages, no Rio Grande do Norte.

Para somar as forças e colaborar na sobrevivência, o meu Herói começou a trabalhar cedo, a fim de ajudar no sustento da família.

Anos depois, recebeu a ajuda solidária do senhor Nezinho Alves (Manoel Alves), pai do ex-governador Aluízio Alves, que o empregou no Armazém Recife, de sua propriedade. Gerenciou a loja do protetor, com competência e dedicação.

Aos 28 dias de setembro de 1946 casou-se com a bela Maria Helena Chaves Pinheiro (Mehena) e dessa união de amor frutificaram cinco filhos.

Com espírito cristão e solidário, com desvelo e dedicação, adotaram mais três filhas, todas encaminhadas a serviço do bem.

Como resultado do trabalho conjunto e profícuo, o casal alcançou a prosperidade, com a montagem de várias farmácias na cidade de Natal, RN.

No governo do amigo Aluízio Alves compôs a diretoria da Companhia de Serviços Elétricos do Rio Grande do Norte (COSERN), ajudando a transformar a empresa na maior estatal do RN.

Neste 21 de dezembro, o meu primeiro Herói, Wober Lopes Pinheiro, completaria 104 anos, um exemplo de vida reta e honrada.

Sem duvida, Ele foi e será sempre o meu primeiro Herói!

O Amigo que me ensinou os caminhos a percorrer; ofereceu conforto e calor humano, sobretudo diante de erros que pratiquei; deu abrigo e segurança em momentos difíceis, quando tudo parecia perdido.

Residindo em Brasília festejo nesta data a sua ausência transformada em presença, erguendo a taça da vida para saudá-lo, querido Herói.

Agradeço-lhe ter sido a bússola, que sempre buscou as rotas de fé e da esperança, mostrando alternativas e guiando os passos do futuro.

Todas essas lições me foram dadas por esse homem, cuja origem provém da adversidade; abriu espaços com o suor do corpo e até sangue nas mãos, sempre acreditando em Deus, valorizando a família e guiando os meus passos para o futuro.

Rezo a oração de exaltação de um Homem forte, nobre, compreensivo, amigo, sem medo e, sobretudo, Eterno Protetor.

Parabéns, meu Primeiro Herói, nascido nos seringais acreanos.

Que Deus continue a protegê-lo na Eternidade e que nunca se esqueça de nós, que choramos com saudade, a sua sentida ausência.

Um pensamento sobre “A saudade do acreano, que nasceu num seringal

  1. Agradeço profundamente a gentileza do estimado amigo em me ceder espaço no seu prestigiado blog, publicando a homenagem que presto ao meu pai, nesta data.

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