Por que o Ceará cresce e o RN anda para trás como caranguejo?

Do editor

A economia do Ceará cresce vertiginosamente, mesmo diante da crise nacional.

A produção da indústria cearense cresceu 2,2% no ano passado, no maior avanço registrado entre as capitais do Nordeste pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O fato merece registro e aplausos.

Afinal, se trata de um estado – vizinho ao nosso –, que sofre as mesmas dificuldades que sofremos e dispõe de recursos naturais idênticos.

Por que o Ceará cresce e o RN anda para trás como caranguejo?

Muitas causas poderiam ser apontadas.

A principal delas se chamaria  falta de “mentalidade” das elites dirigentes, que significa capacidade de acreditar e buscar sonhos, promover inovações e alternativas do interesse coletivo, ao invés de direcionar as oportunidades para pessoas e grupos, com as digitais pré-definidas.

A verdadeira economia de mercado – caminho salutar para buscar o desenvolvimento – não existe no RN.

Aqui prevalecem privilégios, influencia política, divisão “entre amigos” das oportunidades do estado.

Salvo raras exceções, tem sido assim há anos.

Perdemos várias batalhas na busca do crescimento econômico e social.

Sobretudo, para o Ceará.

O ferro é um exemplo patente e agora a área de livre comércio que começa a ser implantada pelos cearenses, quando geograficamente o melhor local nas Américas é o “Grande Natal”.

Há muito tempo se sabe que  são promissoras as perspectivas do RN na exploração de minério de ferro, podendo se transformar em fornecedor privilegiado dos chineses e do resto do mundo.

Em Cruzeta, na Serra da Formiga, há informações de que o potencial de produção seria entre 6 milhões e 12 milhões de toneladas.

São mais de 200 áreas com potencial desse minério em nosso solo.

Infelizmente, a exploração do ferro potiguar no RN se limita praticamente a mina do Bonito, localizada no município de Jucurutu.

Enquanto isso, o Ceará já implantou a sua siderurgia – Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP)-, que cresceu 41,8% em 2017, exportando para o mundo.

Além disso, o Ceará cresce nos setores de produtos químicos, com avanço de 10,9%, têxtil (9,8%), confecções (9,1%), couro e calçados (5,2%) e alimentos (2,7%).

O resultado final e melancólico é ver o RN mergulhado em abismo econômico e financeiro, enquanto um Estado vizinho, com os mesmos problemas históricos que nós, consegue dá exemplo ao país de criatividade e gestão competente.

Fazer o que?

Continuar esperando pela tão anunciada e propalada fábrica chinesa de painéis fotovoltaicos????

Ou, simplesmente chorar pelo leite derramado?

Um pensamento sobre “Por que o Ceará cresce e o RN anda para trás como caranguejo?

  1. Gostei da definição do editor para qualificar a letargia do RN no quesito empreendedorismo: problemas de ‘mentalidade’. Aqui, como no Brasil em geral, nao fizemos nossa ‘revolução burguesa’. Aqui a sociedade parece que ainda se divide entre patrícios e plebeus, nobreza e plebe rude.
    Aqui, no geral, só se empreende com uma ‘forcinha’, facilidade, ‘boquinha’ ou ‘arrumadinho’ do estado. O patrimonialismo rege a mentalidade ou lógica geral do nosso ‘capitalismo’: interesses privados sempre articulados com a ‘coisa pública’. E seus representantes.
    Taí, confesso que gostei quando o senhor Flávio Rocha entrou em conflito com as autoridades do trabalho no estado. Uma breve sensação (…) de que tínhamos um ‘verdadeiro burgues’! sim porque nas sociedades capitalistas e democráticas avançadas num dado momento o capital precisou entrar em conflito com o Estado. Só o capital pode peitar os privilegios do Estado. Mas aqui parece que ainda andam de mãos dadas. Lamentável!

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