Consultor político brasileiro que trabalhou nos Estados Unidos opina sobre a eleição de 2018

El País

Essa não é uma eleição sobre vender esperança, como foi 2002.

Essa será a eleição da indignação, numa espécie de efeito retardado de 2013.

A avaliação é de Mauricio Moura, CEO da Ideia Big Data, uma consultoria com experiência em campanhas nos EUA e no Brasil.

É por isso que ele diz que candidatos com perfil “indignado”, como o esquerdista Ciro Gomes e o deputado de extrema direita Jair Bolsonaro, são potencialmente competitivos numa disputa na qual Luiz Inácio Lula da Silva está virtualmente fora.

Procedem algumas ponderações de Mauricio Moura em relação a eleição de outubro próximo no Brasil.

Vejam, por exemplo, observações de Maurício Moura.

  1. Em 2013, nas grandes manifestações, gerou-se uma expectativa de que houvesse mudanças radicais nas eleições, mas 2014 acabou sendo um ano, em termos de majoritárias, de muita continuidade.A única mudança foi Flávio Dino no Maranhão.Ele conseguiu quebrar um ciclo de poder de mais de 50 anos.
  2. Em 2014 a gente não via essa demanda por mudança tão forte como estou vendo agora. Eu não via essa indignação que estou vendo agora. Mais do que mudança, essa é uma eleição de indignação e estamos no ápice do “novo” no Brasi
  3. Eu tenho um dado, de uma pesquisa que a gente fez no final do ano passado, de que 75% das pessoas não gostaria de votar em nenhum candidato do PSDB, PT e PMDB na eleição presidencia
  4. Com a saída do Huck quem disputa o campo popular será o PT, Ciro, Marina e até mesmo Bolsonaro. Acho que essa janela de produzir um outsider está se fechando. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa certamente traria uma narrativa impactante, mas parece que essa potencial candidatura dificilmente vai se materializar.
  5. Um outsider nessa altura precisaria ser amplamente conhecido da opinião pública.

Não enxergo quem ocuparia esse espaço. O que vai decidir a eleição é o eleitorado do Lula.

Opinião do blogSobre a entrevista ao El País do publicitário Maurício Moura cabe destacar e meditar sobre a sua opinião, a seguir transcrita, acerca do potencial eleitoral de Lula, preso ou não.

“Vamos imaginar que Lula tenha 30 pontos hoje – em algumas pesquisas é mais, mas vamos imaginar 30.

Quando a gente tenta mensurar qual é hoje o potencial de transferência de voto, ele está na casa de um terço.

São os que estão altamente inclinados a seguir uma indicação do Lula – os outros dois terços estão em disputa.

Várias pesquisas mostram que alguns eleitores vão para a Marina, para o Ciro e até para o Bolsonaro.

Vira uma disputa.

 Passa a ser um campo aberto.

Mas a coisa é complexa.

Quando testamos em pesquisa perguntando: e se o Lula for preso?

Aí para o eleitorado popular dele é muito ruim.

Ele, estando preso, tendo indicado a Dilma, está fazendo uma nova indicação.

Mas, se ele não for preso, mas retirado da eleição, então vai depender de quando ele for retirado.

Quanto mais próximo da data da votação ele for retirado, maior o poder de transferência de voto que ele vai ter.

A gente no Brasil tem um laboratório que é o Distrito Federal.

Em duas situações recentes, os candidatos foram retirados e colocaram seus prepostos e deu certo.

 Então, num cenário que Lula começa a fazer campanha e é tirado, pode ser que ele tenha um potencial alto de transferência de voto.

 Num cenário em que ele é preso agora, vai ser muito pior a performance dele no eleitorado popular”.

Outro ponto da entrevista que merece ser analisado é a opinião sobre Bolsonaro:

“Ele tem um grande potencial.

Ele é favorito para levar em um eventual segundo turno se for contra o PT.

Por último, numa coisa mais metodológica nossa aqui e que todos os institutos vão ter, é que muita gente não fala que vota no Bolsonaro.

 Se você perguntar todas as questões de costumes, a pessoa concorda com Bolsonaro, mas não declara voto.

Na hora da urna, sim.

Isso aconteceu muito nos Estados Unidos com Trump.

Temos que monitorar isso com muito carinho.”

Sobre a melhora da economia e o governo influir na eleição.

O Governo é mal avaliado e o potencial de transferência de voto, nesse contexto, é mínimo.

As pessoas percebem que houve melhora econômica, mas não tem nenhum entusiasmo e não associam isso ao Governo Temer.

Elas não têm expectativa de que vai melhorar muito.

Nem que vai mudar radicalmente. Então, o tema da economia, a busca da estabilidade não vai ser um grande fator na hora de buscar um candidato.”

Leia a entrevista completa de Maurício Moura:

http://bit.ly/2HuEaPZ

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