Alckmin perde a esperança em 2018 e deseja suceder Michel Temer, no mandato “tampão”

Acossado por João Dória, cujo nome cresce para 2018, o governador Alckmin agora pensa em suceder Michel Temer.

Seria apenas para o mandato tampão, ou já pensa em ser candidato à reeleição?

Leia o que diz a Folha de hoje:

Além de Tasso Jereissati (PSDB), também o nome do tucano Geraldo Alckmin segue nas listas como opção para suceder Temer.

A “candidatura” é vendida como capaz de reunir partidos como PSB e até o PSD de Gilberto Kassab.

Senadores já foram procurados para aderir à causa.

Defensores do nome de Alckmin dizem que ele teria mais força na Câmara do que Tasso para tentar barrar a candidatura de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados e que assume interinamente a Presidência caso Temer caia.

Se até a eventual saída do peemedebista não houver nome de consenso para a sucessão, Maia é considerado imbatível numa disputa.

Como interino, ele poderá negociar ministérios e centenas de cargos de segundo escalão.

Ministros do STF discutem se Temer pode receber indulto caso deixe Presidência

Mônica Bergamo

A possibilidade de o eventual sucessor de Michel Temer conceder indulto ao peemedebista caso ele deixe a Presidência da República já é debatida em gabinetes de Brasília.

Até ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se debruçaram sobre a legislação para saber se a ideia é viável.

ESPELHO A Constituição diz que compete ao presidente conceder indulto, mas geral, e não de forma dirigida a uma só pessoa. Já o artigo 188 da Lei de Execução Penal, aplicada a quem já está condenado, prevê que o indulto pode ser concedido a uma pessoa específica.

De acordo com um magistrado, se vale para quem já cumpre pena, poderia ser estendida a uma pessoa que, como Temer, seria apenas investigado.

PEDRA NO CAMINHO O exemplo invocado é o de Gerald Ford, que quando assumiu a presidência dos EUA no lugar de Richard Nixon concedeu de imediato indulto ao antecessor.

A concessão de um indulto neste momento no Brasil, porém, é considerada difícil no plano político pela resistência da opinião pública.

Como procuradores e juízes militantes, os tenentes não gostavam de políticos

Reinaldo Azevedo

O Brasil se tornou refém do “Tenentismo da Destruição”. O país caminha para o abismo político, legal e institucional.

Aparecerá alguém com um lume ao menos, a nos dar uma esperança, ainda que bruxuleante?

Esse portador de alguma luz contra as trevas, creiam, era Michel Temer. Torço para que chegue ao fim do mandato. Mas não será fácil.

E o futuro? Até agora, o que vejo são pré-candidatos a cronistas das nossas angústias, com suas ligeirezas à direita ou à esquerda.

Pergunta rápida, com resposta idem, dois dias depois dos atos terroristas protagonizados pelas esquerdas na Esplanada dos Ministérios: se não se fizer a reforma da Previdência agora, quem terá coragem de levar essa pauta para o palanque?

Salvo engano, foi Luiz Werneck Vianna, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, o primeiro cientista político a caracterizar essa era de procuradores e juízes militantes como um “novo tenentismo”.

Em vez do uniforme militar, a toga. O movimento de jovens oficiais de baixa e média patentes, na década de 20, teve importância capital na história do país.

Dali saíram tanto o líder comunista Luiz Carlos Prestes como boa parte da elite fardada de 1964.

A Revolução de 30 foi o primeiro golpe bem-sucedido da turma.

Também os tenentes, a exemplo dos procuradores e juízes militantes de hoje em dia, não gostavam de políticos, considerando-os meros agentes da corrupção.

Também eles queriam refundar a República –tanto é assim que a ascensão de Getúlio Vargas marca o fim da dita “República Velha” e o início da “Nova”.

Também eles carregavam uma ânsia moralista autoritária.

Para registro: três presidentes do ciclo militar tinham sido tenentes “revolucionários”: Castello Branco, Emilio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.

Os tenentes de uniforme, no entanto, observou Werneck Vianna, tinham ao menos um ideário, uma pauta, como o voto secreto, o fim das fraudes nas eleições, reforma da educação pública etc.

Havia até os que defendiam a liberdade de imprensa.

Os tenentes de toga nada têm além do combate à corrupção. É evidente que é necessário.

A questão é saber quantos crimes serão cometidos sob tal pretexto.

A tramoia contra Temer e o esforço para o STF decretar a prisão preventiva do senador Aécio Neves (PSDB-MG) são o epílogo da primeira etapa dessa destruição que consideram saneadora.

Na segunda, prometem mais higienismo político. Afinal, como já sugeriu Deltan Dallagnol, a única reforma que realmente interessa é a do… combate à corrupção.

Fui vítima de uma violência, de um crime, que, por enquanto, segue sem criminosos. Conversas minhas, ao telefone, com Andrea Neves foram pinçadas em meio a milhares de gravações.

Nada traziam, obviamente, de comprometedor.

A PGR diz não ter nada com isso.

A PF diz não ter nada com isso.

A presidente do STF lembrou a agressão a um direito constitucional: o sigilo da fonte.

Também nada com isso!

Então quem tem? Vai ver o culpado sou eu!

O ministro Edson Fachin liberou os grampos sem nem saber o que lá iam.

Jogou no lixo o Artigo 9º da Lei 9.296, que manda destruir o material que não interessar à investigação.

Depois de uma reação de indignação como raramente se viu, pôs de novo parte dos grampos sob sigilo.

Os tenentes de toga acham que as leis brasileiras são garantistas demais e que, como é mesmo?, o “interesse público” deve estar acima de alguns fundamentos do Estado de Direito.

Tudo, claro!, para combater a corrupção!

É por isso que eles protestam com tanta veemência quando Eike Batista obtém habeas corpus no Supremo.

Afinal, esses paladinos da moral têm como exemplo de rigor um outro Batista, o Joesley!

Temer quer usar falta de consenso para substitui-lo e negociar “sobrevida”

Folha

O Palácio do Planalto vai se aproveitar da falta de consenso em torno da sucessão de Michel Temer para negociar com aliados uma “sobrevida” ao governo, condicionada à aprovação das reformas e à retirada do peemedebista da cena política de 2018.

Nos últimos dias, auxiliares do presidente abriram diálogo com os principais articuladores de eleições indiretas, que seriam convocadas caso Temer seja cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no início de junho.

A avaliação é de que os movimentos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José Sarney (PMDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estão “maduros” e que não haverá, nesses grupos, um acordo que permita a construção de um nome comum para a Presidência.

É na falta de entendimento de agentes –que Temer tem chamado de “conspiradores”– que o Planalto vai apostar para ganhar tempo e tentar recuperar musculatura para as votações no Congresso.

Desde a semana passada, quando foram divulgados os detalhes da delação da JBS que implicam Temer, partidos da base aliada e da oposição começaram a articular a substituição do presidente por eleições indiretas.

Eles entendem que a crise é incontornável, que o peemedebista não terá força política para aprovar a pauta legislativa e que a formação de um novo governo é o melhor caminho para a recuperação da estabilidade do país.

Temer, por sua vez, já sabe que, com baixíssima aprovação e sob investigação no STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa, ele e o PMDB não terão condições de influenciar as eleições de 2018.

Sem capital político, o governo oferece agora a aliados, em especial o PSDB, a opção de fazer uma “transição responsável”, nas palavras de um assessor de Temer, e com a possibilidade de os tucanos adotarem uma postura independente no ano final da gestão peemedebista.

Em troca da manutenção da coalizão para que o presidente complete seu mandato, ele promete finalizar a agenda de reformas, como a previdenciária e a trabalhista, e permitir que esse grupo dispute 2018 sem a necessidade de implantar medidas consideradas impopulares.

Auxiliares próximos a Temer têm conversado diariamente com os principais articuladores da possível sucessão do presidente via eleição indireta: Sarney, FHC, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) -os três últimos, inclusive, despontam como opções para assumir o Planalto.

Nas conversas, insistem que o governo não está fragilizado, que Temer não vai renunciar e que na Câmara há votos suficientes para barrar qualquer um dos 17 pedidos de impeachment que já existem contra o presidente.

Quem articula o pós-Temer dá como certa a cassação do peemedebista pelo TSE no julgamento marcado para 6 de junho.

O Planalto, por sua vez, diz que pode protelar o processo com o pedido de vista de um dos ministros indicados por Temer: Admar Gonzaga ou Tarcísio Vieira.

Além disso, a equipe do presidente trabalha com uma série de recursos que podem ser apresentados no próprio TSE e no STF caso a defesa do seja derrotada.

Nesse cenário, o presidente permaneceria no cargo até uma decisão final da Justiça.

O objetivo é ganhar tempo para tentar resistir à crise política e reforçar a tese de que é possível aprovar as reformas no Congresso.

DISCURSO

Com a estratégia em curso, Temer fez nesta quinta (25) um pronunciamento, divulgado nas redes sociais, para dizer que ainda tem condições de continuar no governo e aprovar as reformas.

No discurso, pregou que o país “não parou e não vai parar”.

“Continuamos avançando e votando matérias importantíssimas no Congresso Nacional”, disse.

“O trabalho continua, vai continuar e temos muito a fazer e esse é o único caminho que meu governo pretende seguir: colocar o país nos trilhos.

Portanto, vamos ao trabalho”, completou.

Ministério estuda apoio a pequeno e médio produtor de carnes no País

O governo estuda medidas para estimular grupos pequenos e médios a ocuparem espaços no mercado de carnes, reduzindo a concentração no setor.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou ontem que sua equipe mapeia plantas industriais que estão fechadas para uma possível reativação e criticou a crise gerada pelo grupo JBS após a delação dos sócios e executivos da companhia.

Economistas esperam nova Previdência só em 2018

A crise no governo Temer faz com que economistas e analistas já contem com a aprovação da reforma da Previdência apenas no ano que vem.

Para 0 mercado, a mudança não tem condições de ser tocada com a mesma desenvoltura em caso de saída do presidente —cenário considerado provável agora.

Com a mudança, a expectativa ê que 0 país cresça menos.

Alguns economistas já divulgaram revisões para baixo em suas projeções para 0 PIB.