Artigo: “Lula e a Elite brasileira”

João Paulo Jales dos Santos. Estudante do curso de Ciências Sociais da UERN

Não obstante Michel Temer ter sido o 1º presidente em exercício a ter sido denunciado por crime comum, agora o mandatório inaugura mais uma primeira vez, desta feita, a quebra de sigilo bancário de um presidente em exercício.

Presidente que ostenta recordes negativos, Michel Temer vai ficando na cadeira presidencial.

Apesar dos sobressaltos e das tantas notícias estupefacientes que juntamente produziu com sua facção política, Temer pode ficar tranquilo, seu sonho de encerrar o mandato presidencial está garantido.

E não deixa de ser sintomático que o Brasil esteja sendo governado por alguém que em dezembro de 2015 escreveu uma carta melodramática de um forte tom rocambolesco, quanto a que Temer endereçou a Dilma Rousseff.

Aquela carta que abre com uma frase em latim, onde já no primeiro dos 11 fatos elencados, a expressão “vice decorativo” é a vergonha que toma de conta de toda a carta.

Lendo a carta, um atento leitor se sentirá diante de uma daquelas cartinhas de amor naquela fase dos amores iludidos da adolescência.

É com essa pegada que o então vice à época, Michel Temer, endereçou a então presidente, Dilma Rousseff, sua ignóbil escrita de ressentimentos políticos.

Sentado na cadeira de onde comanda o país, Michel Temer é uma das figuras centrais nos rumos decisórios deste Brasil que vai às urnas em 2018.

A força histórica do Poder Executivo na trajetória político-administrativa do Brasil, aliado com a habilidade política que possui, faz Temer furar o bloqueio do comando do PSDB à direita e deixar o denominado centro a espera de qual comportamento terá o presidente no processo eleitoral.

Apesar da esquerda usar de falácias sobre a queda de Dilma Rousseff, todo bom sabedor de política que esteja disposto a analisar a deposição de Dilma com seriedade, compreende que a presidente caiu pela má condução que fez da política econômica, fermentada com sua falta de traquejo político.

Dilma sem perceber alijou os planos de Lula, seu padrinho político que tão generosamente lhe estendeu o tapete presidencial.

Tivesse Dilma feito um bom Governo, prezando pela disciplina de responsabilidade econômica e fiscal, dando ouvidos aos petistas pragmáticos que tão bem souberam conduzir a articulação política dos Governos Lula, Dilma teria sancionado na prática os planos do ex-presidente.

As indicações de Dilma para disputar à Presidência e de Fernando Haddad para concorrer à Prefeitura de São Paulo, foram minuciosamente desenhadas por Lula para fazer com que a primeira cumprisse regiamente os oito anos de mandato, ‘esquentando’ a cadeira para Haddad, que tenderia a ser o ungido do PT neste 2018 como candidato à Presidência.

Mas os planos de Lula foram por água a abaixo.

Baseando-se nos estudos de Nicolau Maquiavel, pode-se afirmar que a virtude de Lula esbarrou na fortuna que lhe foi Dilma Rousseff.

Regendo de maneira trôpega umsegundo mandato que nem pôde se dar ao ânimo de nascer, Dilma plantou a semente da discórdia na trajetória do PT.

Prejudicou a si mesma, a Fernando Haddad e ao partido como um todo.

Haddad mesmo tendo feito relativa boa gestão na municipalidade paulistana foi dragado pelo clima anti-PT que tomou de conta nas eleições de 2016, principalmente nos grandes centros.

Traído pela pupila, Lula agora se vê cercado pela sombra da prisão, que de sombra passa progressivamente a se tornar efetiva com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que por unanimidade concordou que o ex-presidente pode ser preso após segunda instância.

Nossa classe política tem a mania de querer jogar o ônus da corrupção nas costas da Lava Jato, seria de culpa da operação toda a calamidade política e econômica que toma de conta do país.

Não, não, não.

Coube a Lava Jato investigar o lamaçal que a nossa classe política jogou o Brasil.

A culpa pelos desmandos, pelos crimes, pela corrupção que dilapidou a economia e jogou milhões de brasileiros nas fileiras do desemprego é dos políticos e empresários que costuraram um enorme assalto aos cofres públicos deste país.

Os petistas com razão questionam porque seu grande líder político sofre condenações, enquanto que figurões do PSDB e do MDB veem tranquilamente sentados numa frondosa árvore Lula chegar as vias de ser preso.

O que esqueceu Lula e os figurões do PT com todas as benesses que iam dando aqueles que sempre olharam mal para o partido foi um detalhe que hoje é crucial para se compreender do por que Lula não ter tido a mesma proteção política, jurídica e midiática que desfrutam aqueles da nobiliarquia da direita estabelecida.

Jamais Lula foi visto pela elite político-econômica como um dos seus, foi proveitoso para essa elite os muitos benefícios que Lula lhes deu porque entendem isso como uma questão ‘natural’.

A partir do momento que Lula não mais serviu para empanturrar os bolsos, cofres e finanças desta elite que se acha privilegiada por Deus, Lula voltou a ser visto por estes como aquilo que sempre foi, um exímio representante da ralé coroada, parafraseando frase dita pelas monarquias europeias sobre a ascensão de Napoleão Bonaparte ao Poder francês.

Enquanto esteve presidente e desfrutou de força política pós-mandato, Lula era tolerado, depois que nem mais a força lhe sobrou, o véu da hipocrisia da elite caiu por completo e Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser visto como o retirante nordestino intruso que conseguiu um dia chegar a cadeira de presidente.

Hoje a elite aproveita de vez para enterrar as chances eleitorais do lulopetismo, não querem cometer o mesmo erro de 2005, onde bobearam com o mensalão e entregaram uma fácil reeleição a Lula.

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